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2020 revisitado | Crónicas de Gestão

2020 revisitado | Crónicas de Gestão

Há 6 anos escrevi nestas páginas uma crónica intitulada “2020”. Ao contrário do que previ então não houve um Governo de bloco central, mas uma houve uma solução alternativa de governação que garantiu a estabilidade possível nos últimos 4 anos. As restantes previsões de uma maneira geral concretizaram-se. De facto, a “economia nacional iniciou um lento processo de restabelecimento, beneficiando da descida dos juros da dívida (que se manteve por alguns anos, graças à instituição de novas regras de união monetária, com pooling de dívida)” e em “2020, Portugal consegue atrair jovens investigadores, estancando finalmente a fuga de cérebros” e, de certo modo o «sistema financeiro tornou-se mais competitivo, mesmo a nível do capital de risco, o que permitiu a geração de uma vaga real de empreendedorismo “por oportunidade”». Contudo, nem “o sistema judicial português continuou um processo de reformas”, nem o “sentimento de impunidade” é uma miragem. A nível internacional, de facto “as tensões políticas com a China e Rússia” e sobretudo com os EUA provocam um problema de competitividade futura.  Talvez tenha sido demasiado otimista, mas a maioria das previsões vieram a realizar-se. Todavia dou comigo sem capacidade de fazer o mesmo exercício para 2030 ou até mesmo 2025. O crescimento do extremismo autoritário em todo o mundo, a deriva isolacionista/egoísta norte-americana, os fogos na Austrália (primeiro indício do que será um mundo de alterações climáticas), a tensão no Irão (uma guerra impossível que iria, indiretamente, destruir a União Europeia), a facilidade com que a propaganda molda a opinião pública nas redes sociais, o sistema de controlo e crédito social chinês, a tensão em Hong Kong, etc., tornam impossível um exercício de futurologia que não seja um pouco catastrofista. Ao contrário do que preconizava Fukuyama, não assistimos ao fim da história. E se é verdade que por um lado o mundo está melhor (mais educação global, menos pobreza, menos mortalidade infantil, menos crime e menos mortes violentas - ao contrário do que lhe diz aquele “post” o mundo está estatisticamente melhor em muitas áreas), também é verdade, por outro lado, que o mundo contém uma maior dose de risco. Entre os problemas ambientais e a manipulação política e populista é muito fácil a humanidade falhar. É verdade que somos humanos, falhar está na nossa natureza, tal como aprender com os erros (a UE foi um exemplo da lição retirada de várias guerras), mas a memória dos homens é curta e, muitas vezes, a arrogância não tem limites.

Crónica publicada no Jornal de Leiria

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